quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Professores da USP dão dicas sobre como melhorar desempenho de alunos

Os especialistas em educação Josenilton Andrade de Franca e Henri Flávio Silva falam sobre como tornar aulas de Matemática mais produtivas e divertidas




Pensando em melhorar o desempenho dos nossos alunos em sala de aula, o Crea+ Brasil entrou em contato com professores da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Selecionamos especialmente algumas orientações dos professores Josenilton Andrade de Franca e Henri Flávio Silva sobre como preparar uma boa aula de Matemática, garantindo momentos de aprendizado e diversão. Confira as dicas com a gente!

Matemática não costuma ser uma matéria atrativa para muitos alunos. Como despertar o interesse da turma pela Matemática?

A Matemática tem seus encantos e por si só pode despertar o interesse dos alunos. Contudo, é importante ter alguém que mostre esses encantos a eles. É ai que entra a figura do professor. Além de um profissional com uma boa formação, para passar segurança aos alunos, ao demonstrar domínio sobre os conteúdos que irá apresentar, ele precisa gostar muito daquilo que irá ensinar, se entusiasmar quando explicar algum conteúdo e deixar que esse entusiasmo, de alguma forma, cative seus alunos. Certamente os alunos irão perceber o quanto a Matemática pode ser apaixonante, se encontrarem no olhar desse professor um brilho intenso de satisfação, diante de algum belo resultado da Matemática. Mas só o entusiasmo não resolve, embora seja fundamental. Mostrar aos alunos algumas aplicações dos conteúdos desenvolvidos pode ser bastante estimulante. Tais aplicações podem ainda ser mostradas de diversas formas. Escolher atividades diversificadas e desafiadoras para trabalhar com essas aplicações pode ser um bom caminho para despertar o interesse da turma, ou pelo menos de uma parte dela.

Em quais tópicos de Matemática os alunos costumam ter mais dificuldades? Como os professores podem ensiná-los de maneira mais lúdica e didática?

Há muitos tópicos em que os alunos costumam ter grandes dificuldades, embora isso varie de aluno para aluno. De modo geral, no ensino médio, a trigonometria costuma assustar muitos alunos, por exemplo. Análise combinatória e probabilidade também tiram o sono dos nossos estudantes.  Quanto à maneira de ensiná-los, dependerá de quem são os nossos alunos. Se tivermos alunos com muitas dificuldades, os exemplos e aplicações poderão ser decisivos para a compreensão de alguns conteúdos. Os níveis de dificuldades terão que ser observados com atenção, evitando-se entrar em pormenores e especificidades que poderão afastar esses alunos da Matemática. Por exemplo, em trigonometria, seria importante desenvolver situações problema envolvendo distâncias inacessíveis. Porém, teria pouco alcance a exploração de intrincadas relações trigonométricas que, em geral, parecem sem sentido para esses alunos. Já pra alunos com maior facilidade para lidar com a Matemática, poderemos nos aprofundar em cada um dos tópicos, indo além da apresentação de situações concretas. A quantidade de exemplos e exercícios trabalhados e o tempo em sala de aula para que os alunos os resolvam é também um fator importante para que eles possam ir, aos poucos, sentindo-se seguros diante de conteúdos desafiadores. 

Ressaltamos aqui o cuidado para não confundirmos um trabalho sério, que pode também ser lúdico, com a satisfação dos alunos diante de brincadeiras que, num primeiro momento, passam a ideia de que os alunos gostaram de determinado conteúdo e, inclusive, aprenderam o que foi trabalhado, quando na verdade se entusiasmaram com a brincadeira em si e não com o conteúdo desenvolvido. A Matemática exige certa concentração, persistência e trabalho árduo. Sem isso, no máximo teremos alunos iludidos diante das dificuldades para lidar com alguns conteúdos, se simplesmente fizermos de conta que elas não existem.

Quais jogos, materiais ou atividades você indicaria para aulas de matemática no ensino fundamental? Indicar pelo menos dois e os conteúdos que podem ser abordados em cada uma das opções.

Dentre os jogos que aplicamos em sala de aula, destacamos o "Matix", por ser um jogo divertido, estratégico e que transmite bem o conceito de números negativos e positivos. Outro jogo interessante para as séries iniciais trabalharem o cálculo mental é o "Chegue ao cem". Das atividades, destacamos a construção de mosaicos em papel quadriculado ou colagem e a experimentação da relação do metro cúbico com o litro onde verificamos que em uma caixinha de um decímetro cúbico cabe exatamente um litro e concluindo, então, que um metro cúbico equivale a mil litros.

Como professores podem lidar com alunos com mais dificuldades para assimilar o conteúdo, contanto que eles não se sintam excluídos do restante da sala? 


Os objetivos de aprendizagem abrangem desde a assimilação de conceitos básicos até a de conceitos mais complexos. Assim, para um aluno que apresenta muita dificuldade, damos mais atenção às atividades que trabalham os conceitos básicos, fornecendo-lhe recursos de recuperação paralela e continuada e, sempre que necessário (e possível), acompanhamento individualizado com bolsistas ou estagiários. Quando o aluno tem PEI (Plano Educativo Individual), podemos redefinir nossos objetivos de aprendizagem para este aluno.

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