sábado, 24 de março de 2012

Crea+: Espaço de "ensinagem"

Essa semana o blog traz uma reflexão sobre o que é ser professor.

Os voluntários sabem que estar em sala de aula é um desafio constante! Nessa prática, é importante refletir sobre nosso papel como professores na vida das crianças. O texto abaixo, da coluna de um pedagogo da revista Crescer, chama a atenção para a necessidade de o professor se colocar num ato de "ensinagem": ensino e aprendizagem, como ponto essencial de uma relação mais frutífera, criativa e horizontal com os alunos. Tudo a ver com o Crea+, que se propõe a apresentar às crianças um forma divetida e prazerosa de aprender.

Um abraço!
Equipe  Crea+ Brasil.

Ser professor...

"Ser professor... uma geografia da disposição, da relação. Para mim, ser professor é uma escolha.

Pensar nessa figura, nesse habitante da escola, é pensar em alguém que escolheu dedicar seus passos aos outros. Um habitante que se confunde com a própria escola, que se torna um espaço de atravessamento dos outros, dos saberes, das culturas. Esse habitante é o parceiro, o companheiro, aquele que desafia, que frustra, que apresenta caminhos.

Aprendi a ser professor sendo professor. Tornei-me professor quando percebi que ser professor não é professar linhas, métodos ou didáticas. Ser professor é abrir-se ao outro, às relações. Ser professor é ter uma disposição, uma disponibilidade para ser atravessado pelo mundo. É deixar de ser e ser um outro a todo instante.

Aprendi a ser professor com olhares, com gestos, com as palavras de meus estudantes. Sempre soube que ser professor era colocar-se entre um ensino e uma aprendizagem... um lugar onde a educação é relação... daqueles que se dispõem a atravessá-la. Um espaço de “ensinagem”, da união entre ensino e aprendizagem. Nesse espaço, o professor é estudante, o estudante é professor, a escola é a afirmação de um espaço relacional.

Gosto de pensar e conviver com um professor que provoca encantamentos, mas que também se deixa encantar por seus estudantes. Encantamentos pelos temas de trabalho, por seu estudo, pelas crianças, por suas escolhas. Alguém que se dispõe aos encantamentos. Um encantamento que movimenta, provoca, desloca, faz com que queiramos sempre mais.

Para ser esse habitante da escola, é preciso provocar e ser provocado. É essa dinâmica, esse jogo, essa relação, que transforma o professor em estudante! Professor-estudante que se joga nas brincadeiras, nas relações, que dá limites, fronteiras, espaços, que cuida de seu grupo, que cuida de cada um que convive com ele. Alguém que se joga na cultura, enriquece linguagens, compromete-se com as suas escolhas.

Professor-estudante precisa de estudo. Tem de se jogar nas letras e livros, nas imagens e sons, nas ideias e pensamentos, nas conversas e discussões. Ler, escrever, discutir, escutar música, ver filmes, saber e sentir as coisas que passam pelo mundo afora... São condições para a ampliação das linguagens que se constroem dentro do espaço escolar"

Trecho de um texto de Marcelo Cunha Bueno, educador e diretor pedagógico, retirado de sua coluna da revista Crescer (http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI98389-15565,00.html)

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